Centro cultural confere nova vida ao Solar Laranjeiras restaurado

Quando o arquiteto Thoni Litsz (RJ) visitou pela primeira vez o Solar Laranjeiras no bairro de mesmo nome, no Rio, logo se apaixonou pela arquitetura e história do local. A ideia inicial era procurar uma casa para abrigar seu escritório, uma galeria de arte e um ateliê. Porém, a visita ao Solar Laranjeiras foi tão inspiradora que Thoni teve a ideia de ampliar seu projeto inicial e transformar o local em um centro cultural. “A casa estava caindo, mas tinha um grande potencial. Tivemos que reforçar a estrutura e refazer o telhado antes de reformar a parte interna”, comenta Thoni.
A casa foi construída em 1911 e seu último proprietário foi o Marechal Ângelo Mendes de Moraes, prefeito do Rio de Janeiro durante os anos de 1947 até 1951. Atualmente é tombada pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade – IRPH.

A Restauração

Para dar início à restauração, foi preciso conseguir diversas licenças e trabalhar em parceria com a Curadoria do IRPH. Thoni conta que foram muitas as dificuldades no processo de reforma até o momento, como o caso dos banheiros, que eram em sistema de fossa. “O esgoto só chegava em um andar. Foi complicado”, afirma.
A parte interna da casa está sendo toda restaurada, buscando aproveitar o máximo da sua originalidade, como os vitrais e louças sanitárias. “Estamos tentando remontar a casa dentro do padrão, porém trazendo atualidades”, comenta Thoni. Em um dos cômodos, a antiga rouparia, que será a copa do terceiro andar, foi possível restaurar um afresco original na parede.
A cozinha, entretanto, está sendo completamente refeita, pois eram três ambientes pequenos, que na reforma foram abertos formando um único local. O arquiteto destaca que estão desenvolvendo uma cozinha contemporânea com estilo vintage, mantendo a linguagem de todo o casarão, porém utilizando um mobiliário e uma estrutura contemporânea compatíveis com o tamanho da casa.
A reforma está sendo feita em etapas e o primeiro e segundo andares já estão em fase de finalização, de maneira a receberem a exposição de Arte Sacra, que será inaugurada em novembro. Algumas etapas, ainda pendentes, são a pintura da fachada e a infraestrutura elétrica e hidráulica dos demais andares (só estão prontos os do primeiro e segundo), além de ser preciso finalizar a parte externa dos jardins.

O Centro Cultural

O primeiro andar do Centro Cultural é destinado ao escritório de arquitetura e ao ateliê. Nesse espaço serão ministradas aulas de técnicas de pintura, estilos arquitetônicos, estilos de decoração, desenhos em perspectiva, jardinagem, paisagismo e outros temas que sejam relevantes para jovens estudantes de cursos superiores de arquitetura e design de interiores de escolas públicas. Os cursos também serão abertos aos demais públicos interessados em arte.
No segundo andar funcionará uma Galeria de Arte com influência européia. Trata-se de um espaço em que as obras expostas no local estabelecem um diálogo com a arquitetura do casarão. “A sala de estar tem um mobiliário mais contemporâneo e a sala de jantar tem um mobiliário mais clássico. As obras de arte vão estar inseridas nos dois contextos”, explica Thoni. Ele informa ainda, que as obras serão comerciais e que a galeria está abrindo espaço para novos artistas, inclusive recém-formados.
O terceiro andar será destinado a um mostruário de quartos e banheiros. O quarto será um museu com acervo voltado ao prefeito Marechal Ângelo Mendes de Moraes. No quinto andar haverá um ateliê para aulas de pintura a óleo, luz e sombra e técnica de cores. Já o último andar será destinado a uma adega.
A previsão de inauguração é março de 2017, mas em novembro de 2016, já será possível desfrutar do primeiro e segundo andares, com a exposição de Arte Sacra a ser inaugurada dia 5. A exposição permanece até 12 de dezembro de 2016. Para mais informações sobre o Solar Laranjeiras, acompanhe o site do projeto: www.casasolardaslaranjeiras.com.br

Texto: Virgínia Loureiro

 

Centro Cultural Solar Laranjeiras