Maluh Amorim cria Eco restaurante para a mostra Morar Mais

Foram muitas as inspirações que levaram a arquiteta Maluh Amorim a desenvolver o projeto do Eco Restaurante Itinerante da Serra, que ficou em exposição na mostra Morar Mais por Menos BH/2016. Mas, certamente, a experiência que mais chamou a atenção da profissional foi a visita ao Jalapão (Tocantins), na comunidade de Mumbuca, onde tem origem o capim dourado – um dos elementos essenciais desse projeto.
Depois da viagem de avião para Tocantins, foram mais 13 horas de ônibus para percorrer os 370 km até a comunidade e ir de encontro às artesãs que fazem as mandalas de capim dourado. “O lugar é maravilhoso. Eu vi nosso produto brasileiro sendo feito. Isso não tem preço. Foi o que mais gostei de tudo”, revela a arquiteta.
As mandalas foram escolhidas porque simbolizam harmonia, equilíbrio e paz. “Eu queria fazer um ambiente harmônico, agradável, gostoso, para as pessoas gostarem de ficar lá”, comenta Maluh. Com o uso dessas mandalas, além de enriquecer o projeto, a arquiteta atingiu também um dos conceitos da mostra Morar Mais por Menos, que é o da inclusão social, uma vez que elas são feitas em uma comunidade carente. As mandalas foram utilizadas em uma parede toda de capim dourado.
Para realçar as mandalas foi aplicado outro elemento, que é sustentável também e inovador (inovação é outro conceito da mostra), que foi lançado pela arquiteta nesse projeto: o resíduo de paetês. “Eu coloquei no fundo da parede toda de mandalas, criando um diálogo com elas, que são mais ou menos na mesma cor. Eu usei um revestimento de paetês com pvc na cor dourada para ter a mesma linguagem, que as mandalas” explica.

A origem do projeto

A ideia do projeto começou a surgir quando Maluh foi conhecer a casa onde seria a mostra Morar Mais por Menos. O ambiente que mais chamou sua atenção foi a garagem. “O que me inspirou a escolher esse local foi a parede, toda de pedra mineira. Eu quis realçá-la porque ela estava no projeto do arquiteto, na casa, como um todo” ressalta a arquiteta.
Para acompanhar a parede de pedra com 10m de comprimento, Maluh desenhou uma mesa de bambu (elemento sustentável) com urucum (tempero brasileiro), acompanhando toda sua horizontalidade, contemplando mais dois conceitos da mostra: o da sustentabilidade e o da brasilidade.
A brasilidade também está presente nas pedras mineiras da parede. A arquiteta aproveitou o tom amarelado para utilizar a cor de âmbar em outas partes da decoração, lembrando o ouro brasileiro, que é uma tendência de cor na decoração em 2016, tanto em adornos quanto em móveis e objetos em geral.
Todos os móveis do ambiente são da Traço Forma e foram feitos de madeiras recicladas de florestas remanejáveis. No meio do restaurante, foram inseridas doze cadeiras e três mesas redondas, laqueadas de bordô vermelho, para contrastar com o amarelo do ouro. “Fiz outro trabalho de inclusão, dessa vez com uma comunidade do Vale do Jequitinhonha. Jovens estudantes de Turmalina desenharam as mesas redondas e as cadeiras, que são ergonomicamente excelentes, além de terem um preço muito acessível, que também é um dos conceitos da mostra”.
Outro conceito da mostra é a customização. “Eu peguei um colchão de molas e dei um novo uso para ele fazendo uma adega que ficou bem interessante”, diz Maluh.

O maior desafio

Para finalizar os detalhes do ambiente, restava dar um charme especial ao teto, que incomodava por ser baixo. A solução foi utilizar um espelho de bronze como forro, de maneira a dar a sensação de pé direito duplo. Com esta aplicação, foi trabalhado também o conceito de tecnologia, em parceria com a Balcony Brasil. “O espelho de bronze deu um toque mágico no meu ambiente. E também, a cortina de vidro que a Balcony fez, que é de última tecnologia em termos de fechamento de varandas”, ressalta a arquiteta.
Maluh conta que esse espelho foi o maior desafio do projeto, devido à segurança que precisa ser garantida em sua instalação, pois as placas são grandes e não podem cair. “Acreditei no projeto e me cerquei de todos os cuidados possíveis. A Balcony meu deu essa segurança. Usei metalon e MDF reforçados e em cada chapa de espelho usamos um tubo de silicone americano do mais caro do mercado, que é o melhor. Através disso eu estava segura de que não teria problemas”, comenta.

O jardim

O projeto do jardim foi desenvolvido em parceria com a paisagista Laura Mourão. “Ela fez uma mandala de flores para dialogar com as mandalas de capim dourado. Era um jardim vertical diferenciado, porque não é comum de se ver um jardim vertical de mandala. Foi bem inusitado. Ficou bem diferente e interessante. As pessoas gostaram muito”, enfatiza Maluh. Para o projeto foi desenvolvido um jardim suspenso de vanda (orquídea), com bambu em vários cortes.

Prêmios

O projeto Eco Restaurante Itinerante da Serra conquistou o prêmio de primeiro lugar na categoria Brasilidade e na categoria Sustentabilidade da Morar Mais por Menos BH/2016, além de ter ficado também em primeiro lugar no prêmio Viver Casa.

Fotografia: Gustavo Xavier
Texto: Virgínia Loureiro

 

Mostra Morar Mais por Menos/BH-2016